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sábado, 6 de fevereiro de 2010

Se equilibrando na guia do passeio, tropeçava em horas e saltava os dias. Andando assim, meio distraída, lia a vida com seus óculos de uma perna só.

Seguindo nessa toada, sem saber precisar direito o momento, ouviu um barulho que mais parecia o farfalhar de grama alta. Ficou intrigada porque ali não tinha vento ou folha, nada que lhe justificasse o ouvido.

Bem sei que pode parecer bobo para uma pessoa não acostumada a devaneios, dar atenção logo para uma coisinha dessas... Meio estranho, mas não para ela que era uma colecionadora de pequenos eventos.

Com os olhos estreitados de quem sonha com cuidado procurou a origem do som e deu de cara com um sorriso branco e aberto. Por susto ou timidez, o rosto, casa daquele sorriso, se pintou de cor de rosa e ficou ainda mais bonito de olhar.

Naquele acontecimento viu um evento colecionável e retribuiu o sorriso. Nesse mesmo instante, ouviu novamente o barulho e, por fim, entendeu: o ruído baixinho que parecia ser do vento dançando com as folhas, era na verdade o som dos pelos levantando em arrepio.

Um coração pressente quando encontra sua outra casa, isso agora ela podia contar.





sábado, 30 de janeiro de 2010

Com o computador ligado olhava para o outro lado. Reparava curiosa que todo efeito dependia da posição da luz, não era a coisa em si que importava, não era exatamente o objeto que ela via, mas a imagem composta de faces expostas e sombras.

As palavras não escorriam, não era mais chuva como antes. Em tempos de estio, letras não caem das pontas dos dedos e os olhos desacostumam de pensar teclado, por isso evitava o monitor vazio e olhava para fora querendo rever o que tinha tatuado por dentro.


Pela janela, o verão entrava seguro e convidava a moça para passear, bem difícil para o monitor competir com um azul de abrir horizontes. E como era mesmo para ser, ela saiu, deixando o computador ligado, foi catar palavras no meio das conchas e dos sorrisos, seguindo a brisa que trazia de longe um cheiro de mar.

http://addy-ack.deviantart.com/art/Summer-feeling-151085247

domingo, 1 de novembro de 2009

Mais uma dança


Durante esses dias não era exatamente a falta de sol que incomodava, mas um cinza inoportuno, uma ausência de azul, a opacidade numa monotonia de lentes empoeiradas.

...

Finalmente um intervalo.

Cedo o céu se estendeu aberto e vasto, ela olhava de um lado a outro e era tudo imensidão. Uma oportunidade para levar a alma para passear, ela que com esse tempo de recolhimento já cheirava a guardado.

Quem sabe depois de arejar a casa as palavras voltem a dançar com ela...