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domingo, 27 de fevereiro de 2011


Os dias com seus afazeres corriam em torno da moça que aturdida, tentava fazer com que dessetempo. Mas no redemoinho das folhas arrancadas do calendário, ela se perdia apressada, consumindo as palavras no silêncio das páginas em branco.


Mas nessa manhã, uma vontade de alegria entrou pela janela junto com os raios do sol, esquentado os pés e o coração da moça. E como há tempos não acontecia, sorrindo acordou menina e pulou da cama descalça, fazendo, com sua caixa de giz de cera, o tempo caber no mundo que escolheu recriar, afinal, "as coisas mudam no devagar depressa dos tempos"*.

*Guimarães Rosa.


domingo, 7 de novembro de 2010


Quebra cabeça de destino é meio complicado de montar.

Não tem caixa com desenho, e como se não bastasse, as peças não são apresentadas de uma vez, algumas custam muito a aparecer. Aí já viu, nem dá pra ter uma idéia da paisagem: pode começar puro deserto e, lá pelo meio, aparentar coisa de oceano. O jeito é amansar a curiosidade e continuar, sem certeza mesmo - aqui certeza não é importante, é bem mais uma questão de acreditar do que de saber.

A construção é cheia de intervalos forçados. Umas vezes acontecem por conta de peças sumidas, nesses casos, tem hora de buscar e hora de seguir: difícil mesmo é saber por qual das alternativas optar. Noutras vezes, as peças não cabem direito ou por estarem empenadas ou por faltar uma beirinha, aí o caminho é o da paciência, pra desentortar e fazer nascer pedaço. Ta certo que não vai ficar igualzinho, mas também quem tem que ficar homogêneo é crème brûlée.

Não se produz realidade com matéria de sonho em linha de montagem, lá é lugar de fazer capa de chuva e bicicleta. Destino sob medida é descoberto aos poucos e construído com um certo cansaço, um bom punhado de alegria, umas pitadas de surpresa e um pouco de brisa, afinal, todo mundo merece um tiquinho de delicadeza.

domingo, 19 de setembro de 2010


E foi assim, com a beleza das coisas que simplesmente acontecem porque é tempo...

Sua mão descobriu a minha e puxou um abraço. Na cadência suave dos seus gestos, minha alma encontrou o caminho de casa. Sua boca, vizinha do meu ouvido, deixou o coração cantar, bem baixinho, uma música de ser feliz. Um sorriso harmonizou seus passos no meu caminho, quando seu braço escorreu pelas minhas costas.

Ali, na cozinha pequena, esteve o pra sempre. E, no abraço dançarino, coube toda alegria do mundo.


Vezemquando é possível voar...