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quarta-feira, 7 de julho de 2010


Acordou com sorriso arreglado feito o sol pirracento que esquentava aquela manhã, desafiando o inverno.

Optou pela leveza, talvez não durasse muito, conhecia a força da correnteza dos dias, mas hoje queria mesmo era viagem de vento.

Ganhou a rua com a alegria de presente esperado e saiu para colher flores de papel crepom.

sábado, 26 de junho de 2010

Era dia de chegada: a ausência que pintou tudo de cinza logo ia se dispersar. O sol apareceu fraco e fazia frio, mas só do lado de fora da moça.




Ela levantou bem mais cedo que o costume e com cuidado lavou a alma, tirando todas as marcas da saudade; secou os cabelos e molhou a boca; bem devagar espalhou alegria pelo corpo e só se deu por satisfeita quando todo ele sorriu; com as mãos macias de ternura, acalmou o coração-zabumba; e, perfumada de desejo foi para a janela, gastar o restinho de espera que ainda trazia no olhar.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Das lacunas não preenchidas das frases, do conjunto formado por todas elas, é fabricado o silêncio-espinho. E ele atravessa a pele e grita pelos olhos, incômodo e desajeitado feito um carinho áspero, ele é uma espera sem fim, é uma quasepalavra que natimorta nunca vem. Cada intervalo vazio de sons, nessa condição equivocada de estar calado, é um tijolo. E eles juntos, numa espécie de sinfonia às avessas, fazem um muro que de tão sólido é invisível.
Não quero os nossos minutos preenchidos por esse silêncio histérico que turva a vista e pesa nos ombros.
Minha vontade é do seu sorriso vagalume que de pontinho em pontinho apaga o escuro e alumia tudo. Não preciso de um amorarmadura, prefiro a confusão das linhas das nossas mãos que num mapa maluco mostra um infinito de possibilidades. Careço mesmo é do calor do seu abraço e da cadência do seu coração para dissolver minhas olheiras.



http://equivoque.deviantart.com/art/untitled-portrait-73335961