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sábado, 30 de janeiro de 2010

Com o computador ligado olhava para o outro lado. Reparava curiosa que todo efeito dependia da posição da luz, não era a coisa em si que importava, não era exatamente o objeto que ela via, mas a imagem composta de faces expostas e sombras.

As palavras não escorriam, não era mais chuva como antes. Em tempos de estio, letras não caem das pontas dos dedos e os olhos desacostumam de pensar teclado, por isso evitava o monitor vazio e olhava para fora querendo rever o que tinha tatuado por dentro.


Pela janela, o verão entrava seguro e convidava a moça para passear, bem difícil para o monitor competir com um azul de abrir horizontes. E como era mesmo para ser, ela saiu, deixando o computador ligado, foi catar palavras no meio das conchas e dos sorrisos, seguindo a brisa que trazia de longe um cheiro de mar.

http://addy-ack.deviantart.com/art/Summer-feeling-151085247

domingo, 1 de novembro de 2009

Mais uma dança


Durante esses dias não era exatamente a falta de sol que incomodava, mas um cinza inoportuno, uma ausência de azul, a opacidade numa monotonia de lentes empoeiradas.

...

Finalmente um intervalo.

Cedo o céu se estendeu aberto e vasto, ela olhava de um lado a outro e era tudo imensidão. Uma oportunidade para levar a alma para passear, ela que com esse tempo de recolhimento já cheirava a guardado.

Quem sabe depois de arejar a casa as palavras voltem a dançar com ela...

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

"Todas as cartas de amor são ridículas..."

Eu lhe disse que sou fácil, tenho gosto pelo simples, ele que me encanta. Um feriado de sol morno e pronto, já acordo sorrindo.
Dia bom para passeio de bicicleta com trilha sonora – acho que tudo fica mais interessante com trilha sonora.
Descobri uma música que é a cara de hoje: ensolarada e alegre, chama me haces bien, de um urugaio, Jorge Drexler.
Então, nessa manhã de domingo em plena segunda-feira, em primeira pessoa, quero lhe contar que você me faz bem e, simples assim, eu amo você.



Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram cartas de amor
É que são ridículas
(Fernando Pessoa/ Álvaro de Campos)