Recent Posts

sábado, 10 de maio de 2008

Forma e volume


A tarefa era levar para escola uma vasilha, qualquer uma, não importava a cor, o tamanho ou o formato - garrafa, balde, tonel, vaso.
Que coisa diferente para uma tarefa, pensou ela intrigada.
No dia seguinte, vestiu o uniforme, toda pensativa. Os babadinhos eram irritantes, mas ela adorava a jardineira, era de saia e xadrez de cor de rosa. Depois do café da manhã, pegou a garrafa azul de vidro grosso, que a mãe tinha colocado embrulhada numa sacola e foi para escola.
A atividade consistia em perceber características dos estados da matéria - forma e volume.

Ela, na maioria das vezes, se adéqua bem. Cidades grandes e pequenas; trabalhos e grupos diferentes; comidas e horários. Se fosse um estado da matéria, seria líquido: essa flexibilidade, talvez demonstre a ausência de forma própria; mas o volume, esse é definido.
Como um rio, ela corre, seguindo o leito já traçado, mas de tempos em tempos, o caminho se estreita e ela sente a opressão das margens. Novas idéias, pensamentos andarilhos e desejo de mudança surgem como afluentes e ela, em tempestade, é toda inundação. Precisa de espaço para desdobrar a alma e deixa-la ao sol; para inflar os sonhos, permitindo que eles ganhem altura; e ela, a imensidão.
PS: Babadinhos continuam irritantes.

36 comentários:

Marcelo Martins disse...

Esse seu texto me levou de volta aos tempos de escola.
LEmbro dos trabalhos que fazíamos também, tínhamos que levar obejtos para experimentos de todos os tipos.
Eu adorava aquilo.
Lembro da experiência do feijão no algodão úmido,rs.
Adorei seuas linhas. =)

Beijinhos.

Narradora disse...

Oi Marcelo,
Também lembro do feijãozinho...rs
Bjs.

Dama de Cinzas disse...

Acho que minha impressão foi a mesma do Marcelo, a coisa do feijãozinho úmido... rs

Obrigada por sua visita em meu blog!

Beijos

a clara menina Clara disse...

eu seria um pingo, aos poucos.

Mary West disse...

Ahhh q melancolia agora. Realmente as lembraças podem voar quando menos esperamos. Feijões ou cartolina. ;)

Pedro Favaro disse...

A possibilidade de fazer o volume tomar forma é o melhor... adequar o ambiente e terminar tendo sua forma adequada a ele.

bj

João Neto disse...

Flexibilidade é arte difícil de aprender. E o que escolher quando surgem as novidades? Que caminho traçar? Ser inundação talvez seja a resposta. Não haverá caminho traçado que lhe contenha.

Narradora disse...

Dama de cinzas,
Experiências de infância...o feijãozinho está imbatível.
Seja Bem vinda.
Bjs.

Clara,
Pingo ou inundação...é tudo uma questão de paciência (ou falta dela).
Bjs

Miss Mary West,
Cartolina, é verdade, quanta coisa se faz com cartolina...
Bjs.

Pedro,
Bom quando dá certo. Fazer o continente tomar a forma do conteúdo.
Desafiante essa empreita.
Bjs

Oi João (meu amigo domingueiro),
Algumas escolhas são difíceis né?
Mas sempre chegam as monções e aí, adeus traçado...
Bjs

carmim disse...

preciso ser mais líquida. mais ainda.

Camilla Tebet disse...

A música que embalou a minha leitura foi perfeita... perfeita. NOvas idéias, novos pensamentos .... sabe.. esse é um bom texto para iniciar uma inundação... primeiro de lembraças.. depois de conclusões e depois rasgar os babadinhis, inflar os sonhos e partir para a imensidão.
Adorei. To ouvindo e lendo novamente.
Bjs

Narradora disse...

Carmim,
Nem sempre é bom se adaptar...
Bjs

Camilla,
Nada com rasgar babadinhos...rs
Bjs

Fernando Rozano disse...

belo conto, narrativa essencial. gsotei muito. abraços.

Narradora disse...

Fernando,
Obrigada.
Outros.

Lígia Carvalho disse...

Como sempre seus textos alegrando meu final de tarde.
Lembrei-me da infância, sim, mas sobretudo de como o volume é mais importante que a forma. Algumas formas são lindas, porém não existe volume ou muito volume e pouca forma..

(viajei vizinha, sorry)
rs :)))

Narradora disse...

Vizinha,
Que bom q gostou.
Bom viajar de vez em quando... :)
Bjs

Alice disse...

Lindo, moça...
Inspiraste minha tarde.

Beijo grande e te espero no país,
Alice

www.asmaravilhasdopaisdealice.blogger.com.br

Alice disse...

Babadinhos são chatinhos mesmo. Você é que escreve bem... Eu já disse? Mas escritores sabem se são bons ou ruins. Você deve saber e não estou rasgando seda, como já dizia a Luci. Até memo porque, alguns babadinhos são feitos de seda ou não?

Adorei esse texto feminino.

"...e ela, a imensidão."

(Narradora)

Bjs...

Letícia

Narradora disse...

Letícia,
Tirando os babadinhos, tenho poucas certezas...rs
Obrigada pelo incentivo.
Bjs

Narradora disse...

Alice,
Que bom! Vou lá sim.
Bjs

Beautiful Stranger disse...

parece um texto de livro de história infantil, coisas que quando somos crianças, talvez pela inocência não compreendemos totalmente, mas como o passar dos anos é bem mais nítido o que aquelas "simples" palavras diziam...

;)
http://strangerbeautiful.blogspot.com/

Narradora disse...

Hi Beautiful stranger,
Gosto do simples ;)
Volte sempre.
Bjs

Cecília Braga disse...

Sempre, sempre, doce.
A imensidão que os pensamentos ganham nas tuas linhas.
beijo na alma

Gracyelly disse...

Lembrei de um vitral q fiz como trabalho de escola, era com pedaços de papel celofane coloridos e a moldura em cartolina preta. Ficou lindo! E ganhou como o melhor da sala, tanto q ficou um mês todo na janela da sala dos professores. A luz do sol batendo no vitral dava um efeito incrível!

Luci disse...

Adoro água: pra beber, nadar, hidratar, tratar, energizar. Se esbaldar.
Ser água é ser imensidão.
Ser vida, ser possibilidades.
Ser. E se Basta, não se basta?
Narradora, menina d´água.

Bjo,

Luci:)))

Narradora disse...

Cecília,
Também gostei do filme da Camile.
Obrigada pelas palavras.
Bjs

Gra,
Lembrança boa, então...
Nunca fiz vitral :(
Bjs

Luci,
Sim, se basta...
Obrigada pelas palavras sempre doces.
Bjs

Ilaine disse...

Texto... sempre tão lindo.

Amei o último parágrafo, Narradora. Está perfeito. Você inunda o leitor com sua doce narrativa: palavras infladas de figuras poéticas que fazem sonhar... Imensidão.

Beijo no coração
Ila

Narradora disse...

Ila,
Sempre bem vinda...
Adorei o texto sobre viajar.
Obrigada pelas palavras.
Bjs

Ana Laura disse...

Me lembrei do feijão no copo de iogurte com algodão, da cartolina com desenhos penduradas no varal com prendedores de roupa personalizados, etc...

Não usei uniforme xadrez, uma pena... Acho tão cool. rs

Nostalgia boa essa do seu texto.

Beeijo.

Narradora disse...

Nalaura,
Tirando os babadinhos, era de fato cool...rs
Bjs

Assim que sou disse...

Também penso que, se eu fosse um estado, seria líquido. Porque apesar de uma certa teimosia capricorniana, me sinto cada vez mais descompromissada com comportamentos coerentes. E assim posso ser cada pessoa a cada novo dia, emoldurada por embalagens que variam também de acordo com o que se apresenta para mim.
Seu texto me inspirou esse delírio de comentário.

bjs. Veronica

Narradora disse...

Verônica,
Em tempos assim, delírios, as vezes, são necessários.
Bjs

Nathália disse...

Garrafas, água... Isso me lembro de quando eu era criança e enchia várias garrafas com quantidades diferentes de água e começava a assoprar dentro delas, fazendo uma música que eu achava linda. Só eu. Hahaha.

E acredito que flexibilidade seja sim uma coisa boa, contanto que não mudemos nossa essência.

Beijo!

Narradora disse...

Nath�lia,
J� fiz muita m�sica desse tipo...rs
Sem d�vida, flexibilidade n�o � anula�o.
Bjs

Lorita disse...

Bons tempos os da escola, das saias com preguinhas e maria xiquinhas... hj a gente cresceu e as experiências de outrora viraram exemplos metafóricos de uma vida a ser vivida.

Bjm e obrigada pela visita, volte qdo quiser ;)

Narradora disse...

Lorita,
Seja bem vinda...
Volto sim.
Bjs

Luiz Felipe Leal disse...

queria recortar muitas coisas daqui,
não só os babadinhos.

fiz até esse comentário que tende ao 'nunca serei visto' só pra não deixar passar em branco essa calma que sinto ao ler sobre o vento e tudo, tudo isso.

grandes abraços.