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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Amarelinha

Fim de tarde e ela estava sentada à porta da casa, aproveitando o sol manso, nesses momentos que só são possíveis em cidades pequenas onde o tempo segue noutra cadência.
Do outro lado da rua, crianças pulavam amarelinha usando um plástico colorido que trazia o desenho impresso - uma espécie de "amarelinha nescafé".
Ela assistia a algazarra lembrando do seu tempo de protagonista. Quando também brincava de amarelinha; andava pela rua, passando a mão nos muros chapiscados até ela ficar bem lisa; pulava com os dois pés nas poças d'água; colocava barcos de papel na enxurrada e passeava de bicicleta buzinando com a boca.
Lá do outro lado houve uma interrupção. Três meninas atravessaram a rua chateadas porque a dona da amarelinha teve que ir pra casa, acabando com a brincadeira. Foi aí que ela percebeu que elas não conheciam outro tipo de amarelinha, só a "nescafé".
Solidária, levantou e começou a procurar um pedaço de telha, tijolo ou alguma pedra arenosa com que pudesse riscar o chão. Escolheu um lugar na calçada, próximo de onde as meninas se reuniam e pôs mãos à obra. Curiosas as crianças se aproximatam e logo perceberam no desenho, o brinquedo perdido. Animadas perguntaram se podiam ajudar e depois brincar também.
Ela, surpresa, porque não pretendia brincar, só "entregar" o desenho pronto, aceitou de bom grado a ajuda e a idéia. Instantes depois, quatro meninas riam e pulavam amarelinha, na calçada, num fim de tarde, numa pequena cidade do interior, perdida no tempo.

1 comentários:

Ana disse...

Adoro amarelinha... vamos marcar?rsrsrsrs