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sábado, 5 de abril de 2008

Companhia

Um sol pálido num céu azul sem nuvens, belo início para um domingo de outono. Ela sabia que aos poucos o sol rarearia e o frio se infiltraria pelas portas e pele. Restaria, dessas manhãs de pintura, a saudade.
Pensando nisso, percebeu que nos últimos tempos tem trazido a saudade consigo: solta na bolsa; embolada no bolso; presa à blusa com um alfinete; no cabelo, grudada no grampo. De um modo ou de outro, têm sido companheiras constantes.
Não que ela seja dessas moças melancólicas que vivem penduradas às janelas dos sobrados, cujos suspiros profundos embalam as tardes cinzentas - não, não, ela não. Ela gosta de manhãs de sol, de passear pela cidade, de cenas coloridas, de foto preto e branco e de trilha sonora.
Mas, de uns meses pra cá ela nunca está sozinha, essa senhora bifronte tem andado com a mão no seu ombro. Normalmente, é cordata e calma, uma dama das antigas, educada pra falar baixo e se movimentar com leveza, se fazendo notar apenas pelo sorriso comportado. Noutros dias, no entanto, ela acorda dançando flamenco e faz com que a moça, que não conhece o ritmo, tropece nos seus passos... Aí, a rua é apertada e quarto é amplo.
Observação importante:
A Mariana me deu esse selinho aí do lado (eu adorei). Agora eu tenho que indicar mais cinco pessoas. Vamos lá.

36 comentários:

Marcelo Martins disse...

Seus texto descritivos são perfeitos.
Gosto muito desse estilo.
Profundo, hermético e melancólico sim...
A saudade...Ah a saudade,,,
Esse sentimento tem me feito companhia à tempos.

Beijinhos meus.

Narradora disse...

Oi Marcelo,
Tudo bem. Melancólica vá, lá. Mas colorida...rs
Bjs

Nathália disse...

Uma visão bonita da saudade. Muito bonita.
Incrível como um sentimento tão sufocante pode ser responsável por umas obras tão profundas assim.
Acho que é exatamente por ser sufocante. Daí queremos desabafar.

Beijo!

Narradora disse...

Nathália,
Tem dias de mansidão e tem dias de tempestade...rs
Bjs.

Ana Laura disse...

Descritiva e sempre doce... Essa é a nossa narradora. "Observadora", pseudo-heterodiegética que narra com uma onisciência neutra apesar de sabermos que é a protagonista. Estilo lindo.

A suavidade dos seus textos leva o leitor a um saudosismo involuntário mesmo.

Adorando cada vez mais.

Beijos.

Narradora disse...

Nalaura,
Adorei a sua descrição de como eu escrevo (disfarçada, mas completamente autodiegética, me confesso...rs).
Fico feliz que goste.
Obrigada pelas palavras, moça das letras.
Bjs.

Ana Cláudia Zumpano disse...

há tempos e tempos. e em alguns desses tempos a saudade anda de mão dada com a gente mesmo, e confesso que muitas vezes eu adoro estar por aí suspirando, olhando longe com saudade de tudo aquilo que foi realmente especial pra gente!
bjos ;*

Narradora disse...

Oi Ana Cláudia,
A saudade "mansa" me encanta também, é uma espécie de confirmação das coisas boas.
Obrigada pela visita,
Bjs

Alice disse...

Amiga Narradora,

Você narra a vida e as cores que tanto amo. Obrigada por tudo e pela indicação. Vou estar fora uns dias, mas assim q voltar, virei ao seu "recanto".

Bjs da sua amiga das letras...

Letícia

Narradora disse...

Letícia,
Boa viagem e até a volta.
Bjs.

Alice disse...

Não vou viajar. Coisas de trabalho em casa mesmo. Já coloquei o selinho. Podia? Eu amei. :)

Luci disse...

Sempre me vejo em seus textos. Impressionante isso. E vc, com sua delicadeza, singelas palavras que me ofuscam com a simplicidade complexa. Um paradoxo que, confesso, adoro!

Olha, muito obrigada pela indicação ao selo. De coração! Fiquei bastante lisongeada!!!
Como funciona?

Bjo,

Luci:)))

Narradora disse...

Que bom que gostou, podia sim. Bom trabalho então. Bjs.

Narradora disse...

Luci,
Bom que gostou do texto (também adorei o seu e estou esperando os dos outros blogs..rs) e do selo.
Então, sabe aqueles números e letras? você pega ali o selo e é só colocar no seu blog, naquela parte de personalizar sabe? E vc indica mais cinco pessoas também. Bjs

Assim que sou disse...

No meu blog tem um poema lindo do Neruda sobre saudade. Se você não conhece, dê uma passada por lá e leia.
Mas isso é só prá dizer que sua transcrição proseada é tão singela que - hoje, ontem ou amanhã - nos traz identificações.
Estou suavemente melancólica hoje e a tua leitura me fez um bem danado.

bjs. Veronica

carmim disse...

sem palavras.
eu morro toda vez que leio seus textos. sei lá, já aconteceu tanta coisa e ainda acontece tanta coisa aqui no meu coração.

é foda.

é bonito demais.


(muito obrigada pelo selinho! achei super bacana! eu tenho que indicar mais 5? como é?)


beijo!

Narradora disse...

Oi Verônica,
Não conhecia o poema, é bonito mesmo.
A saudade do Neruda é pontiaguda, incômoda ao extremo, é como ele diz "o inferno dos que perderam". Pra mim, inferno mesmo é nunca ter perdido, por nunca ter tido - ele identifica isso no final: "o maior sofrimento é nunca ter sofrido".
Fico feliz que o texto tenha te feito bem.
Ps:Adoro flamenco..rs
Bjs.

Narradora disse...

Carmim,
Coração é terra de grandes acontecimentos mesmo.
Obrigada pela visita.
Bjs

Anônimo disse...

Oi,

Eu sonhei contigo essa noite.
Tu és um amor.

Beijos, Dri.

Cecília Braga disse...

E quando o quarto é amplo, os passos marcados de tantas danças... ecoam, ecoam.
Obrigada pela indicação e pelo carinho.
beijo na alma.
p.s: e preciso indicar tb? Tu me conta depois.

Narradora disse...

Oi Dri,
Sempre bom você aqui.
Fiquei curiosa..rs
Bjs.

Narradora disse...

Oi Cecília,
Tens razão.
Te contei, tá no seu blog.
Bjs

Ilaine disse...

"... nos últimos tempos tem trazido a saudade consigo: solta na bolsa, embolada no bolso; presa à blusa com um alfinete..." Companheiras.

Narradora, muito bem sei o que é isto. Falas-me a alma.

Linda crônica. Parabéns.

bj

João Neto disse...

Saudade...
Palavra que tem ficado no top ten do meu vocabulário ultimamente...

Você sabe fazer poesia de uma maneira muito particular. E deixa um gosto de quero mais!

Gracyelly disse...

Eu tb gosto de manhãs de sol, principalmente as manhãs de abril, considero os dias mais bonitos do ano. E sem trilha sonora, nada tem sentido!

Germano V. Xavier disse...

A nostalgia canta como canta o canário da terra. teu texto me remonta tempos de outrora, minha querida!

Abraços no coração!

Germano
Aparece...

Mary West disse...

Completamente encantada com a beleza de tais palavras...Obrigada por este momento. ;)

Narradora disse...

Ilaine,
Obrigada, fico feliz com a sua visita e espero que a sua saudade seja uma presença mansa, que não lhe atribule a alma.
Bjs

João,
Muito obrigada pelas palavras.
Bjs

Gracyelly,
Concordo em gênero, número e grau...rs
Bjs

Caro Germano,
Bom ver você por aqui. Sempre um mestre com as palavras.
Bjs

Miss Mary West,
Obrigada eu, pela visita e pelo comentário.
Bjs

T S disse...

Adorei cada linha que li...sao transparentes!!!
um beijo
ts

Narradora disse...

t s,
Que bom que gostou. De fato são.
Obrigada pela visita.
Bjs.

Ana Laura disse...

Obrigada primeiro pelas palavras deixadas no meu blog. Clarice sempre me conforta, vindo de você é melhor ainda.

E depois obrigada pelo "moça das letras", que nem é tanto assim. rs

É, não somos de vidro, graças a Deus!


Beijos.

Narradora disse...

Nalaura,
Eu imaginei que Clarice seria uma boa companhia.
Fica bem, moça das letras.
Bjs

Cecília Borges disse...

Ai, quando a saudade dança flamenco!
Não há tamanho, a hora é dela.

Um beijo!

cecilia disse...

Ah, obrigada, mesmo!
e desculpa pela demora, to muito sem tempo por causa da escola..
passando rapidinho hehe
beijos

Taty-chan disse...

Lindo!
Nossa, e que jogos de palavras. Palavras e conteúdo enganchados perfeitamente!
Um bjo!

Narradora disse...

Oi meninas,
Quando ela dança, à gente só resta tentar acompanhar.
O tempo tem corrido de todo mundo mesmo.
Tentando enganchar.
Obrigada pela visita e pelos comentários.
Bjs