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terça-feira, 3 de junho de 2008

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Não tanto à melancolia, as manhãs cinzentas sempre lhe foram propícias à reflexão.
Em dias assim, os pensamentos seguem a fluidez das nuvens e voam como levados pelo vento. Alguns, talvez por serem menos aventureiros ou, quem sabe, mais teimosos, se deixam ficar, fazendo hora na ante-sala do entendimento.

Na cama, entre travesseiros espalhados e sonhos incompletos, ela se encolhe sob as cobertas. Gosta de acordar devagar, ir aos poucos despertando o corpo e espreguiçando as idéias, dando tempo para a alma se acomodar. Nesse intervalo, antes de atravessar definitivamente a fronteira para o aqui, ela escreve livros, verdadeiros compêndios; desenvolve teorias das mais complexas e variadas; visita lugares e pessoas, sem risco de desencontros, mata saudades.

Abre os olhos devagar e sente os dedos de luz que vão se esticando pelas frestas da persiana até alcançar suas pernas. Lânguida, imersa no quase, pensa em como se compôs canção de hoje.


34 comentários:

Lu (- . -)... disse...

Acaso ou sorte, mas sou a primeira a comentar esse texto seu...
Para mim mais sorte, porque amo as manhãs cinzas propícias à reflexão, engraçado mas há muito não conseguia mais escrever, porém com o inverno chegando e todas essas nuvens cobrindo o céu, meus pensamentos têm voltado a voar com o vento...
Conseguindo preencher o branco da tela com algumas letrinhas e devagar me ver acordando para uma nova estação...
Lindo texto e imagem Narradora!!
Até mais...
Beijinho...

Mary West disse...

E a chuva fina definitivamente estava a escorrer pela janela. Belo texto. ;)

Narradora disse...

Lu,
Ótimo que tenha voltado a escrever... eu fiquei meio travada uns dias, sem muito o que dizer, lenta na escrita.
Bom ter você por aqui.
Bjs

Miss Mary West,
Menina, as minhas vidraças também estão chorando.
Bjs.

Alice disse...

"Imersa no quase."

Você trouxe um livro inteiro nessa frase. Belo texto - fiquei "perplexa" porque também sinto o sol entrando pelas frestas e também espero minha alma se acomodar.

Demoro a vir aqui, mas sempre que venho, você é verdadeira e original.

Bjs.

Letícia

Gracyelly disse...

Muito bom acordar assim, com tempo p/ pensar na vida, nas pessoas q amamos, nos sonhos a realizar...pena q nem todo dia dá p/ fazer isso, o cel toca, a cama quente fica p/ trás, banho, café, jornal, chave, carro, trabalho. Bjos

alua.estrelas disse...

Um texto que diz tudo, em poucas palavras. E ela fez-se canção de hoje... Muito lindo. Parabéns!
Bjos.

Narradora disse...

Letícia,
Sempre bom te ver por aqui.
Gostei muito do seu poema.
Bjs

Gra,
Também acordo com o celular e ultimamente não tem dado tempo pra cama.
Bjs

Alua,
Obrigada e bem vinda de volta :)
Bjs

Nathália disse...

A parte em que você descreve o momento em que se acorda me fez lembrar a mim mesma.
Essa preguiça matinal é gostosíssima.

Beijo!!

ROMANCE AVESSOS disse...

muito bom o que voce escreve adorei seu blog ja esta ate na minha lista

Narradora disse...

Nathália,
Muito bom acordar inteira.
Bjs

Romance avessos,
Obrigada e seja bem vindo.
Bjs

Camilla Tebet disse...

Como seu loading é bonito. Um loading lento, cheio de poesia e descobertas ainda com os olhos fechados. Pensamentos que fazem hora "na ante-sala do entendimento" são pensamentos que só podem mesmo compor canções de hojes. Li, reli e amanha gostaria de acordar assim, para que meu dia fosse uma bela música, tocada com dedos de luz.
emocionante o texto, de uma leveza feliz de quem sabe viver.
Beijos

carmim disse...

puta que o pariu. que texto delicado, bonito e verdadeiro.

Bruno disse...

Essa narrativa do acordar se encaixa quase totalmente com o meu próprio acordar, mas existe uma diferença essencial: quando eu piso no aqui pra valer todos os compêndios escritos na fronteira se apagam :/

Anônimo disse...

Eu te adoro.
Lindo como sempre, apenas acho que deverias escrever com mais frequencia. :)

Beijos, Dri.

Narradora disse...

Camilla,
Uma graça de comentário. Agradeço pelas palavras.
Bjs.
Ps:Lindo seu texto.

Carmim,
Obrigada (rs...).
Eu sinto muito pelo seu caderno vermelho.
Bjs

Bruno,
Engraçado, os meus também somem. :)
Bjs.

Narradora disse...

Dri,
Foram uns dias pobres de palavras e minutos.
Quem sabe de agora pra frente...
Beijo

a clara menina Clara disse...

"imersa no quase"

tenho pavor disso.

beijo!

F. Reoli disse...

Gosto de textos assim, que levam quem lê a desenhar cada cena dentro da cabeça... a rotina só é poesia pra quem sabe desenha-las no papel e na vida. Gostei daqui.
Beijos

João Neto disse...

Penso que acordar é sempre uma tarefa difícil. Tanto no sentido real quanto no figurado. Mas fazer o quê? Permanecer dormindo não é bom negócio. Permanecer no quase, menos ainda. Então acordemos e façamos livros.

Cecília Borges disse...

escreveu sobre um hábito meu...
acordar devagar, sentir de pouco a pouco, receber o dia de forma serena.
nunca corro, mesmo se atrasada.
um bj

Narradora disse...

Clara,
Entendo que o quase como terreno fértil para idealizações é mesmo bem perigoso.
Bjs.

Reoli,
Buscando o simples: desenhar palavras e escrever figuras... ´
Obrigada pela visita.
Bjs.

João,
Sabe, eu não acho difícil acordar, só sinto que requer tempo: para amadurecer idéias e enxergar melhor; andar primeiro, e então correr.
Bjs.

Cecília,
Embora me seja importante, nem sempre consigo receber o dia de forma serena, como você disse.
Bjs.

Beautiful Stranger disse...

lindo texto, devemos refletir sempre só assim encontraremos respostas; sorte à todos nós...

:D
http://strangerbeautiful.blogspot.com/

Luci disse...

Lindo, lindo, narradora.
Estive ausente. Muito trabalho.Mas tava com saudade das suas letras singelas que sempre me fazem sentir como que flutuando. Palavras que me aconchegam. Sutileza branca de paz, muita paz. Uma delícia. Bom estar de volta por aqui...

Bjo,

Luci:)))

Clecia disse...

Oi!Tudo bem? Estou visitando blogs. Gostei muito do seu. Manhãs, não só manhãs como dias cinzentos sempre me levam à reflexão. Uma ótima semana para você!

Narradora disse...

Beautiful,
Perguntas e resposta... pra sempre. :)
bjs

Luci,
Bom ver você de volta.
Bjs

Clecia,
Seja bem vinda...
Coisas do inverno. :)
Bjs

Camila disse...

Que belo texto!
Muito bom te ler...
Parabéns.
Beijo
=)

Cecília Braga disse...

'Imersa no quase'.

Chove nas tuas palavras, há de germinar o novo e intensificar o verde.
beijo na alma

Verônica Martinelli disse...

Essas imagens em quebra-cabeça mantão as palavras também quebradas.

'canção de hoje.'


beijos*

Taty-chan disse...

Uaaaaaau, cada vez que venho aqui me surpreendo, é uma aula de literatura seu blog!
Que metaforas lindas, lindas....
*____*
=*

Chá de Fita disse...

TÃO BOM ACORDAR, FAÇA SOL OU FAÇA CHUVA SEJA CEDO OU SEJA TARDE...

Narradora disse...

Camila,
Seja bem vinda.
Obrigada pela visita e pelas palavras.
Bjs

Cecília,
Tomara mesmo.
Bjs

Verônica,
Somos um pouco isso mesmo né, peças.
bjs

Taty,
Obrigada :)
Bjs

Chá de fita,
É verdade. Acho que o como importa, mas é muito bom acordar.
Bjs

Lígia Carvalho disse...

Tenho dito:
Se eu fosse cientista estudaria os efeitos da chuva na alteração do humor humano..
Pra mim ela é fonte de silencio e introspecção que incentiva a criação..
Como sempre vc constrói seus livros na delicadeza dos detalhes.
parabéns!

Narradora disse...

Vizinha,
Gosto do cinza, sem ficar cinza...
Às vezes é silêncio, outras tantas movimento. Tudo é novo, ou pelo menos, pode ser.
Bjs

Luiz Felipe Leal disse...

nem sei se sei dizer,