Nunca gostou dos jogos que muitas vezes permeiam os encontros amorosos: quedas de braço e cabos de força; lutas e torneios; xadrez e dama.
Do mesmo jeito que é difícil usar salto em areia movediça, é custoso deixar acessível o coração quando ele se transforma em troféu. Ela sabe bem como é ficar com a cara na parede, como aqueles bichos raros: caçados, abatidos e empalhados com olhos vítreos cheios de nada.
Do mesmo jeito que é difícil usar salto em areia movediça, é custoso deixar acessível o coração quando ele se transforma em troféu. Ela sabe bem como é ficar com a cara na parede, como aqueles bichos raros: caçados, abatidos e empalhados com olhos vítreos cheios de nada.
Foi por isso a ligação noturna, cheia de álcool, cansaço e esperança.
Disse numa carreira, para não perder a coragem: "Eu não jogo, não gosto do efeito em mim. Quando eu falo sim, eu quero. Umas vezes me arrependo do não. Mas medo, eu tenho mesmo é do se e do quase".
Mas não era hora para você: muito perto, muito rápido e muito certo. Era tanto que assustou e por ser exato, não coube. Virou excesso e portanto, houve resto.
Ela ficou parada ali, na esquina onde se reúnem todos os que tentam. Tomou chá com o tempo, confidenciou com a paciência e olhou a paisagem. Satisfeita com o caminho, levantou e limpou a poeira das roupas - é, poeira é uma coisa curiosa, o pouco que se demora e pronto, ela já mora em você.
Movimento, era disso que ela carecia. Começou a andar, sentir o vento e olhar as nuvens empurrando as horas.
Logo ali na frente, numa esquina dos dias, o seu sorriso. De repente, numa virada de mês, a noite veio e trouxe um beijo. Então o seu tempo chegou e era junto - ela e você, passos entre barcos de papel.
