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sábado, 6 de fevereiro de 2010

Se equilibrando na guia do passeio, tropeçava em horas e saltava os dias. Andando assim, meio distraída, lia a vida com seus óculos de uma perna só.

Seguindo nessa toada, sem saber precisar direito o momento, ouviu um barulho que mais parecia o farfalhar de grama alta. Ficou intrigada porque ali não tinha vento ou folha, nada que lhe justificasse o ouvido.

Bem sei que pode parecer bobo para uma pessoa não acostumada a devaneios, dar atenção logo para uma coisinha dessas... Meio estranho, mas não para ela que era uma colecionadora de pequenos eventos.

Com os olhos estreitados de quem sonha com cuidado procurou a origem do som e deu de cara com um sorriso branco e aberto. Por susto ou timidez, o rosto, casa daquele sorriso, se pintou de cor de rosa e ficou ainda mais bonito de olhar.

Naquele acontecimento viu um evento colecionável e retribuiu o sorriso. Nesse mesmo instante, ouviu novamente o barulho e, por fim, entendeu: o ruído baixinho que parecia ser do vento dançando com as folhas, era na verdade o som dos pelos levantando em arrepio.

Um coração pressente quando encontra sua outra casa, isso agora ela podia contar.





11 comentários:

Pétala disse...

"...o ruído baixinho que parecia ser do vento dançando com as folhas, era na verdade o som dos pelos levantando em arrepio.
Um coração pressente quando encontra sua outra casa..."

Que palavras bem colocadas! Como você mesma diz aqui no blog, apresentar a reprise como novidade. Isso que é a beleza da tua escrita: quando você descreve o que nós vivemos em momentos únicos e colecionáveis, e por vezes, não nos damos conta. Acho que você é uma designer de interiores de palavras, e por isso, esse lugar é tão aconchegante e acolhedor!

Beijos e pétalas.

Fatine Oliveira disse...

Já havia passado por aqui antes, mas sempre timidamente quase que entre as árvores...
Hoje não me contive com esse texto, lindo na minha opinião...
Agora torno pública minha admiração e digo que virei mais vezes...
Quem sabe a gente não se fala... ^^)
Parabéns...

Mulher na Polícia disse...

Amei o barulho dos pelos...
Só os poderes especiais do amor para ovir tal ruído.

Lindo!

' Geane Melo disse...

Com certeza...quando o nosso coração escolhe alguém são diversos os sintomas de "paixonite aguda"...

"Um coração pressente quando encontra sua outra casa..."

= * Parabéns pla criatividade,amei o texto!

Merini disse...

Incrível como pequenos eventos podem ser os maiores e mais significativos em nossas vidas, a partir do momento que reconhecemos o nosso outro eu. Belíssimas palavras.

Renata Bittes disse...

adorei o texto. A delicadeza das suas pavalras é tocante.

Erica Vittorazzi disse...

Lindo texto!!! Sorte destas pessoas que colecionam pequenos eventos, elas são assim: especiais!

Mary West disse...

A beleza da vida esta mesmo nos detalhes que por vezes deixamos escapar.

Rute disse...

Olá, passando aqui para conhecer seu blog.´Parabéns pelas postagens!
Textos claros e objetivos!
Beijihos a vc
www.rute-rute.blogspot.com

Gra Porto disse...

Lindo!!!
Queria ter esse poder de transformar as emoções em tão delicadas palavras!
Bjoo

Jaqueline Lima disse...

reparo nas coisas avassaladoras, nas ventanias. mas as coisas pequenas devem mesmo ter toda graça que você diz...

beijos!